Renato Machado/ Ex-aluno

Projeto Andrews 90 anos

Entrevista com Renato Machado/ Ex-aluno

Rio de Janeiro, 3 de julho de 2007

Entrevistadora Regina Hippolito

 

Onde e quando você nasceu?

 

RM: Nasci no Rio de Janeiro em 1943.

 

Onde você fez seus primeiros estudos?

 

RM: Em uma escola particular, em Ipanema, que já desapareceu. Depois fui para o Colégio São Bento e para o Colégio Nova Friburgo da Fundação Getúlio Vargas.

 

Quando você entrou no Andrews?

 

RM: Em 1958, para fazer o curso Clássico.

 

Conte como foi seu curso Clássico no Andrews.

 

RM: Foi o melhor curso de toda a minha vida estudantil, antes e depois. Nada teve a qualidade e os professores com quem nós interagíamos. Isso tinha uma importância muito grande no nosso cotidiano. E as turmas não eram grandes

 

Você se lembra dos professores do Clássico?

 

RM: Sem dúvida. Me lembro do professor de Latim Olmar Gutierre da Silveira, do professor Fábio Freixino, de Português, da madame Jacobina, professora de Francês, do professor Vitor Nótrica, de Química, da professora de Espanhol, da professora de Filosofia, Marion. Muitos ficaram marcados. Não dá para falar de todos porque foram muitos.

 

E de seus colegas, você se lembra?

 

RM: Lembro-me dos colegas que ficaram meus amigos a vida inteira: Sebastião Lacerda, Zózimo Barroso do Amaral. Ficamos amigos de 1958 para o resto da vida. Lembro-me também do Ari Coslov, da Verinha Flexa Ribeiro, do Edgar Flexa Ribeiro, que era mais velho, mas era colega também do mesmo grupo. Tive colegas como a Vera Maria Florêncio, o Inácio Celebrinique, a Elisa Nusman, a Maria Lúcia Pinto, depois Maria Lúcia Dahl, o Paulo Sérgio Valle. Aquela turma do Andrews foi uma turma de bons estudantes, de médio para bons, alguns excepcionais. Lembro também da Ana Maria e da Maria Clara. Outro dia encontrei a Teresa Sá e Benevides que também era da nossa sala.

 

Você acha que o colégio teve influência na escolha da sua profissão?

 

RM: Não e sim. De imediato não, porque minha profissão foi para o ramo de rádio e cinema. O colégio influenciou na medida em que me deu uma grande preparação para o estudo das línguas, que era mais ou menos o que eu buscava no curso Clássico. Foi um curso Clássico que foi clássico, acima de tudo. Como o curso me iniciou no estudo de línguas - Francês, Inglês e Espanhol -, isso me dirigiu para certo tipo de atividade. Foi aquela base que me permitiu viajar depois como homem de rádio e estudar na Inglaterra.

 

Que faculdade você fez?

 

RM: Direito na PUC. O curso de Direito significava naquela época um bacharelado, uma continuação. Na verdade, não era isso que eu queria fazer.

 

Quando você se formou?

 

RM: Eu não me formei, saí no último ano. Fui fazer cinema no último ano da Faculdade de Direito, em 1964.

 

Você ficou trabalhando em cinema?

 

RM: Fiquei trabalhando em cinema, teatro e rádio. Em cinema, eu fazia narração de filmes, isso era meu meio de vida. Depois fiz um teste para um posto no exterior, e por causa do meu conhecimento de línguas, eu passei. Fui estudar na Inglaterra.

 

Quanto tempo você ficou lá?

 

RM: No primeiro período eu fiquei quatro meses, como estudante; depois fiquei dois anos como profissional. Tempos depois voltei para lá como profissional e passei cinco anos.

 

Voltando a época do Andrews, você se lembra de algum fato que ficou marcado em sua memória?

 

RM: Lembro-me das aulas da madame Jacobina; das meninas bonitas que eu ficava olhando passar na hora do recreio; das provocações que fazíamos em aula; de discussões na aula de Filosofia. São fragmentos, imagens. Lembro das representações do Cercle Molière, que era clube de teatro em francês, criado pela madame Jacobina. Lembro-me também de uma tentativa de um cineclube, que nos fez ficar adeptos de cinema cult já nos anos 1959/60, e do surgimento da Novelle Vague. Foi a partir dessa célula do cineclube do Andrews que criamos o hábito de irmos ao cineclube da rua Paissandu e nos tornarmos sócios de lá. Lembro-me, sobretudo, das bagunças que fizemos e da dor de cabeça que demos a alguns professores. Claro que me lembro do desespero que era estudar para as provas mensais, parciais no meio do ano, e finais; inclusive a prova oral.

 

De uns tempos para cá muitos colégios fecharam, o que você acha que o Andrews tem que resistiu ao tempo e vai fazer 90 anos em 2008?

 

RM: Acho que foi a tradição da boa educação, da educação de qualidade. Isso foi uma conquista daqueles anos, talvez anteriores a mim, e que adquiriu uma marca. Eu tenho impressão que o Andrews funcionava como uma pré-escola para a faculdade. Existia muito a ideia do mérito. As provas eram difíceis. Houve notas baixas, no meu caso em algumas matérias, que me forçaram a estudar muito. O sistema de avaliação mensal contava para a média, mas isso tudo tinha um peso relativo diante do exame final, em que havia prova oral, o que obrigava você a ser fluente no seu Português. Matemática e Química também tinham prova oral. O exame oral era uma constatação de conhecimentos na qual você era levado a se expressar. Isso distinguia o aluno do Andrews.

 

Qual foi a importância no Andrews na sua vida?

 

RM: Muito grande porque eu vinha de um colégio interno só de homens. O Andrews significou para mim a liberdade. Foi muito importante estudar ao lado de uma menina, sentar na mesma carteira, pedir ajuda, trocar um lápis, um papel. Foi importante ter esse contato com o sexo feminino na adolescência. O fato de o Andrews ser na Praia de Botafogo e todo dia eu sair de lá com sol e ir até Copacabana, onde eu morava, também significava para quem viveu fora do Rio de Janeiro em um colégio interno, uma descoberta existencialista da liberdade. Para mim, o Andrews tinha esse significado.

 

Muito obrigada pelo seu depoimento.

 

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