Salvador Cícero/Ex-aluno

Projeto Andrews 90 anos

Entrevista com Salvador Cícero/Ex-aluno

Rio de Janeiro, 4 de julho de 2007

Entrevistadora Regina Hippolito

 

Quando e onde você nasceu?

 

SC: Nasci no Rio, em 1940. Entrei no Andrews em 1944 e saí em 1957. Nunca fui de outro colégio. Fiz desde o jardim de infância até o terceiro ano científico.

 

Quem foram seus pais?

 

SC: Meus pais foram Salvador Pinto Filho e Marília Azevedo Pinto. Meu pai era advogado do Ministério Público. Em 1960, foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no quinto constitucional. Ficou desembargador até completar 70 anos.

 

Qual é a sua ligação com a família Flexa Ribeiro?

 

SC: Meu pai era irmão da Maria Helena Flexa Ribeiro.

 

Como foram seus primeiros anos no Andrews? O que você se lembra?

 

SC: Me lembro do dia em que entrei no colégio pela primeira vez. Para mim não foi aquele trauma. Minha mãe ficou meio decepcionada, pensou que eu fosse chorar. Mas eu entrei com a maior tranquilidade porque já conhecia bem o colégio. Entrei de mão dada com o Edgar, que foi meu colega de turma a vida inteira. Eu já tinha uma facilidade muito grande de estar no colégio, de conhecer o colégio antes de ser aluno, isso por causa do Edgar. Eu me lembro que nessa primeira fase, no primário, tínhamos um tratamento bastante pró-inglês, por causa da Mrs. Andrews. Em alguns dias da semana, no final do dia, nós cantávamos algumas músicas em inglês. Algumas delas que eu me lembro até hoje eram músicas de guerra, porque nós estávamos no final da guerra. Cantávamos músicas dos soldados ingleses. Até hoje me lembro disso, acho muito curioso.

        

Algum professor do primário ficou marcado para você?

 

SC: Eu me lembro da professora dona Geni, que nos acompanhou do segundo para o terceiro primário; da professora Olga, que era do quarto primário, acho que ela era meio brava. Nessa época, eu era muito briguento. Todo dia eu chegava em casa rasgado porque, de vez em quando, tinha umas brigas no banheiro. Eu era um dos menores da turma e o meu desafeto era também um dos menores da turma, o Zequinha (não me lembro o sobrenome dele), que hoje é um médico conhecido. Eu me lembro do inspetor Lindolfo, que era um sujeito magro e alto, e foi apartar uma briga minha com o Zequinha. Então eu escalei o inspetor pela roupa e fui dar um soco nele.

 

Como foi seu curso ginasial?

 

SC: No ginásio, usávamos um uniforme cáqui. Nós tínhamos um modo especial de dobrar o casaco, ficava pequenininho, para poder andar de bonde com aquele envelope, que era o casaco dobrado.

 

E de seus professores do Ginásio, você se lembra?

 

SC: Me lembro de alguns professores, não sei se eram do Ginásio ou do Científico. Me lembro do professor Ramalho Novo, de Matemática, que despertava certo medo nos alunos. Eu achava muito engraçado porque quando eu abria um livro de História geral, aparecia uma foto de perfil da múmia do Ramsés II, que era muito parecido com o professor Ramalho.

 

Você fez Científico ou Clássico?

 

SC: Na época em que eu tive que optar entre um ou outro eu estava indeciso, não sabia para onde ia e fui para o Científico. No meio do caminho eu optei por fazer Direito. No Científico tinham as classes 11, 21 e 31, que eram mais dirigidas para Engenharia; e tinham as classes 12, 22 e 32, que eram mais dirigidas para Medicina. Como eu tinha optado por fazer Direito, eu mudei da final um para final dois. Eu me formei com o pessoal da turma 32. Tenho amigos até hoje que foram dessa turma. Comecei a estudar Latim por fora, com a Eliete Amado.

 

Você se lembra de algum fato engraçado ou curioso dessa época?

 

SC: Minha turma era muito interessante. Fizemos certas travessuras que ficaram famosas. Uma delas, por exemplo, é que sempre que chovia, nós  suspendíamos os toldos para que a água ficasse acumulada e, na hora do recreio, nós soltávamos e vinha uma massa d’água enorme que molhava todo mundo. Eu me lembro também que o José Carlos Neder (hoje arquiteto) foi uma pessoa de destaque no colégio. As pessoas gostavam muito dele. Ele tinha paralisia infantil e andava de muleta, mas era um inventor de travessuras fantásticas. Ele soltava cabeça de negro no banheiro. Lembro-me que uma vez houve uma grande explosão no banheiro e o professor Motta Paes entrou na nossa sala fazendo uma repreensão geral, dizendo: “imagine se um colega de vocês estivesse lá naquele momento”. Nessa hora, o Neder falou: “imagine se fosse eu, professor, com a minha dificuldade de locomoção”. Todo mundo sabia que tinha sido ele.

 

Você acha que o colégio teve influência na sua decisão de ser advogado?

 

SC: Não. Foi muito por causa de meus familiares. Meu pai foi advogado, meu avô foi advogado. Na família de minha mãe tinha advogados. Eu estava muito no meio de advogados. Não teve nada a ver com o colégio.

 

Você se formou no Andrews em final de 1957 e foi para qual faculdade?

 

SC: Fui para a PUC em 1958 e me formei no final de 1962.

 

Qual foi a importância do Colégio Andrews na sua vida?

 

SC: Foi muito importante. O colégio era muito bom, do ponto de vista do ensino e, também muito bom do ponto de vista de convivência, dos próprios professores, dos alunos. As pessoas ficam espantadas com a quantidade de gente que eu conheço. Eu vou a qualquer lugar e tem sempre alguém conhecido, a grande maioria dessas pessoas são egressos do colégio. Tem também uma parte de PUC, eu conhecia gente da Engenharia, da Psicologia etc.

 

Você mantém contato com seus colegas de colégio?

 

SC: Alguns deles. Ontem mesmo fui fazer exame de sangue com o Lauro Paulo Terra, que era meu colega.

 

O que você destacaria da orientação pedagógica do Andrews?

 

SC: No meu tempo, eu acho que a orientação pedagógica foi muito boa. Depois, no tempo dos meus filhos, também foi.

 

Seus filhos estudaram no Andrews?

 

SC: Estudaram desde sempre. Minha neta foi do Andrews Baby, só não continuou lá porque foi morar em São Paulo. E a outra mora nos Estados Unidos. O colégio é da maior importância para mim. É importante ter sido do Andrews.

 

Você notou alguma diferença do tempo que você estudou no Andrews para a época de seus filhos?

 

SC: Foi bem diferente até por causa do tamanho. O colégio cresceu. Mudou muito, o próprio tipo de ensino. Percebi claramente que o meu tempo era diferente do tempo dos meus filhos.

 

 

Você identifica fases diferentes no Colégio Andrews?

 

SC: Sim, do meu tempo para o tempo dos meus filhos.

 

De uns tempos para cá muitas escolas fecharam, o que você acha que o Andrews tem que resistiu ao tempo e vai fazer 90 anos em 2008?

 

SC: A tradição, mas não sei se isso conta porque muitos colégios que tinham tradição acabaram. Acho ótimo que ele exista e continue existindo, mas não sei exatamente por quê. Talvez a própria condição de ser muito levado pela família.

 

Você se formou em 1962 e qual foi seu primeiro emprego?

 

SC: Quando me formei, já estava estagiando em um escritório de advocacia que era muito dedicado à área de seguros. Meu chefe era também o chefe de uma companhia de seguros e, quando eu já estava formado, me chamou para ser advogado da Companhia Boavista de Seguros. Em 1972, essa companhia virou Atlântica Boavista e em 1986 virou Bradesco Seguros. Eu fui acompanhando isso tudo. Me aposentei em 1988, pela previdência privada da Bradesco Seguros. Fui trabalhar num escritório de advocacia. Mais tarde, o presidente da Fenaseg – Federação Nacional de Seguros - me chamou para ser diretor jurídico da federação. Paralelamente, eu fui procurador da Fazenda Nacional.  Exerci esse cargo até ser diretor da companhia de seguros. Então, me aposentei e fui ser diretor da Bradesco Seguros.

 

Você gostaria de acrescentar alguma coisa?

 

SC: Eu tenho muito orgulho de ter sido do Andrews.

 

Muito obrigada pelo seu depoimento.

 

 

 

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