“Como construímos nosso(s) lugar(es)?

A cada ano, escolhemos um tema a ser desenvolvido ao longo do próximo período letivo. Cuidamos para que ele seja uma oportunidade de vivenciarmos, pessoal e coletivamente, os valores e as intencionalidades do nosso Projeto Educativo. 

Geralmente expresso sob a forma de uma pergunta, o Tema do Ano nos remete à Condição Humana e nos convida a visitar e a refletir sobre as múltiplas dimensões que constituem nossa subjetividade e a essência do Humano. Portanto, não se restringe à perspectiva de uma ou outra área do conhecimento, mas a múltiplas e diversificadas abordagens. 

No tema de 2020, um aspecto a ser considerado refere-se a uma das intencionalidades do Colégio Andrews que remete à transmissão de um determinado legado cultural que, em larga medida, constitui a identidade e a especificidade do grupo social que, desde sempre, procurou e elegeu, dentre tantas outras possibilidades disponíveis, esse Projeto Educativo para a formação escolar de seus filhos.

  Dentre outras vertentes, isso pode ser traduzido, no cotidiano do Colégio, pelo cuidado em levar os pequenos brasileiros a se fazerem brasileiros, e os pequenos cariocas e se fazerem cariocas, o que significa levar essa nova geração de cariocas a conhecer a cidade em que vive. Importa assegurar que aprendam a valorizar e a usufruir do patrimônio cultural da cidade, de seu acervo artístico, de sua cultura local, e compreendam de em que medida ela dialogou e dialoga com outros lugares, com outras culturas.

Essa antiga intencionalidade e cuidado do nosso Projeto encontra uma oportunidade preciosa de ser vivenciada no ano em que a cidade do Rio de Janeiro recebeu o título RIO Capital Mundial da Arquitetura, designado pela Unesco e pela União Internacional de Arquitetos (UIA). Trata-se não só de um reconhecimento pelo passado arquitetônico, histórico e cultural do Rio como também, e principalmente, uma oportunidade de reflexão e proposição de futuro da cultura arquitetônica, do paisagismo e urbanismo e, consequentemente, das cidades,a partir da avaliação e dos debates que terão como base a cidade sede do 27º Congresso Mundial de Arquitetos UIA 2020 RIO (https://www.uia2020rio.archi).

Tudo isso faz com que, ao longo de todo o ano letivo, o Rio de Janeiro receba e promova uma série de eventos nos quais a história de sua arquitetura e desenvolvimento urbano terão seus sentidos e pressupostos revisitados e explanados por grandes profissionais e especialistas do mundo todo.

Essa reflexão pode ir da concretude do espaço físico e de suas representações técnicas, espaciais e cartográficas até as mais sutis atribuições de carga emocional e afetiva, forma pelas quais constituímos identidades, articulamos narrativas, sonhos e projetos. Assim, do concreto ao simbólico e ao imaginário, e do macro ao micro, investimos de maneiras muito específicas e diferentes em cada lugar que construímos.

  Nossas trajetórias de vida, tanto no aspecto individual como no coletivo, têm sua identidade marcada pela forma através da qual criamos, nos dedicamos e cuidamos do(s) nosso(s) lugar(res). A forma pela qual produzimos, narramos e nos apropriamos desse(s) lugar(es) não deixa de ser, portanto, reflexo e manifestação de nossa capacidade de autoria e de autonomia. Nesse sentido, construção a ser feita por cada um, que depende e remete a investimentos de ordem subjetiva que compõem a identidade que vai sendo assumida por cada um.

O tema oferecerá boa oportunidade para reflexões que poderão contribuir para o desenvolvimento da capacidade de leitura ampla e crítica de mundo de nossos alunos. O Projeto Educativo pretende, além da capacidade de autoria, o desenvolvimento também da autonomia: tanto intelectual quanto moral. E, como Piaget propõe, a possibilidade de autonomia moral do sujeito é algo a ser estimulado e desenvolvido desde a mais tenra infância.

Um cuidado e um propósito educacional que contribui para o desenvolvimento da capacidade de discernimento, diferenciando claramente o moralmente certo do erro, e do inaceitável.

Como costuma ocorrer no Tema de cada ano, fica feito o convite para que cada um dos que integram a comunidade escolar se faça atravessar por esse tipo de questionamento: como eu construo o “lugar” que ocupo – como professor(a) perante os meus alunos, como pai/mãe perante meu/minha filho(a), como referencial de adulto perante o jovem, como figura ensinante perante o aprendente, como inspetor, coordenador ou diretor perante a comunidade escolar....São produções de “lugares”, de sentidos e de narrativas.

Para aprofundar o Tema, seguem 5 textos complementares que fazem parte do caminho de reflexão percorrido até agora na busca de “cumprir e fazer cumprir” a Missão do nosso Projeto Educativo que convoca: a formar/formar-se um ser humano “... na sua essência e na plenitude da sua humanidade, com capacidade de autoria e de autonomia para atuar responsavelmente no mundo em que vive.”

Anexo 1: Luiz Augusto dos Reis-Alves, arquiteto, tem como objetivo, no seu artigo, refletir sobre a definição do conceito de lugar e a determinação de sua estrutura. Não se restringe à visão da Arquitetura sobre esse conceito, mas inclui outras perspectivas: geográfica, filosófica...

Anexo 2: Bauman, partindo da reflexão sobre um tipo de espaço público - “templo de consumo”- faz distinção entre lugares êmicos, lugares fágicos, não lugares e espaços vazios,ressaltando o quanto esses espaços dispensam a interação com estranhos, principal característica, para ele, da civilidade.

Anexo 3: para Edgar Morin, todos vivemos “os mesmos problemas fundamentais de vida e de morte” e estamos “unidos na mesma comunidade de destino planetário”. Por isso, precisamos aprender a “estar aqui” no planeta e a ser terrenos. Ao longo do texto explicita em que consiste essa aprendizagem.

Anexo 4: Morin aprofunda a reflexão feita no texto anterior, destacando que “devemos relacionar a ética da compreensão entre as pessoas com a ética da era planetária, que pede a mundialização da compreensão” posto que o planeta precisa de compreensões mútuas. “As culturas devem aprender umas com as outras”.

Como sempre, novas contribuições serão bem-vindas.

O nosso obrigado às famílias que escolhem seguir participando desse Projeto Educacional que pertence a todos nós.

Que nossas reflexões gerem bons frutos!

 

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